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Artesanatos

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Florindo Jacinto Vaz
Trabalhos em Madeira
S. Francisco da Serra
 
Em pequeno diz sempre ter tido jeito para talhar madeira, mas nunca se dedicou verdadeiramente a esta arte.
Hoje com 67 anos dedica muito do seu tempo a fazer trabalhos em madeira.
Das suas mãos saem cadeiras, mesas, bancos de jardim, carrinhos de mão e tudo aquilo que que a sua imaginação lhe trouxer.
Com apenas um canivete, muita habilidade e paciência perde-se na modelagem da madeira de pinho. Trabalhos que muitas vezes dá aos seus amigos ou aqueles que o rodeiam.
Apesar de há pouco tempo se dedicar a fazer estes trabalhos, considera que, tem vindo a melhorar a forma como os faz, fazendo também experiências

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Construção de Cadeiras
 
José Gonçalves  "O sonho entre os dedos"
S. Domingos

 Chama-se José dos Santos Gonçalves e com 79 anos persiste na sua cruzada pela preservação do artesanato local, ele é um dos artesãos que continua a fazer as suas cadeiras. Constrói-as desde a montagem da forma em madeira até ao assento em materiais que vai colhendo da natureza, uma característica comum deste tipo de artesanato de cariz rural.

Nasceu em Grândola, mas desde muito novo veio morar para o concelho de Santiago do Cacém, mais concretamente para a freguesia de S. Bartolomeu da Serra onde viveu até aos 25 anos. Muda-se então para outra aldeia deste concelho, S. Domingos onde ainda hoje se dedica ao artesanato.

Foi agricultor, cuidou de gado, mas com a sua mudança para S. Domingos, e devido a problemas de saúde da mulher, desistiu de sair para fora para trabalhar ração pela qual se dedicou por inteiro à construção de cadeiras.

O seu primeiro contacto com esta arte rural começou, bem cedo, ainda na sua terra natal, Grândola.

Aprendeu sozinho a trabalhar o bunho, material que desde cedo é o seu eleito e com o qual fazia pequenos arranjos em cadeiras lá em casa. É que diz o artesão, o bunho é bem mais macio e de mais fácil moldagem. Apesar da sua preferência salienta que se podem utilizar outros materiais como a corda, atabua, junça. Mas como mestre nesta arte não deixa de frisar os inconvenientes de alguns destas matérias. A corda de nylon é quente e faz mal, a corda de cairo é muito áspera enquanto que com o bunho fica macia. Pode-se fazer também com a atabua e a junca, apesar deste material ser muito áspero para quem está a tecer, a atabua também é um bocadinho áspera mas faz-se bem.

Quando começou a sua actividade em S. Domingos comprava árvores, mandava-as abrir e fazia a moldagem da cadeira assim como os acentos.

Até há alguns anos o negócio corria bem, nestes anos diz ter vendido mais de 3000 cadeiras para todo o país, um número que veio a diminuir com o tempo. José Gonçalves refere mesmo que no último ano não tem vendido quase nada. O artesão atribui esta situação há mudança dos tempos. Um tempo em que só se compram cadeiras de plástico e em que se perdeu a mania de se vir para a rua sentar numa cadeira de madeira e conversar com a vizinhança, recorda.  

José Gonçalves teme pelo futuro desta arte e diz que gostava de ter esperança que isto durasse, que houvesse gente interessada em saber desta arte tradicional. O artesão mostra-se disponível para ensinar o seu trabalho.

Apesar deste ofício neste momento não dar dinheiro sente vontade de continuar a trabalhar até conseguir.

Em relação à aprendizagem por parte de outras pessoas o artesão refere que existem dois miúdos que se mostraram interessados em aprender, um de S. Francisco da Serra e outro de Almada. Este último até levou uma cadeira já começada e bunho para fazer, mas que nunca mais apareceu porque é longe.

José Gonçalves deixa ainda o recado. São necessários apoios e incentivos para que apareçam outras pessoas a trabalhar neste e noutros tipos de artesanato, em caso contrário tudo se perderá.

Cláudio Catarino

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